Era de Aquária

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A Grande Inundação de maio de 2050 foi provocada por uma soma de eventos: o nível do mar subiu em função do descongelamento das calotas polares, o eixo da Terra se deslocou, houve terremotos e tsunamis, e no Brasil, para completar o desastre ambiental, o Aquífero Guarani veio à tona.

Com isso, a maior parte do mundo ficou submersa e a cidade de São Paulo foi renomeada, virou Nova Piratininga, com sobreviventes amontados na avenida Paulista, no Parque Sabesp Sumaré e no Pico do Jaraguá, únicos locais a salvo das águas. (Mais tarde a Terra também seria rebatizada, tornando-se Aquária.)

É nesse contexto pós-apocalíptico, mais precisamente entre os anos de 2050 e 2055, que as histórias aqui reunidas acontecem. Exceto em três contos mais futuristas, ambientados um século depois da Grande Inundação.

O Coletivo KriptoKaipora é formado por dezenove escritores interessados em pensar adiante do nosso tempo, a maioria oriundos da coletânea Eros ex machina: robôs sexuais, organizada por Luiz Bras. E o melhor: com a participação de várias mulheres dispostas a penetrar esse meio tradicionalmente formado por homens brancos e héteros, não para competir, mas no sentido de somar forças, esperando que em nossa próxima coletânea tenhamos a participação também de grupos sociais historicamente discriminados (negros, lgbts, índios e outros).

Apesar de sua tradição de um século e meio e de contar com dezenas de obras importantes e de autores talentosos, o leitor brasuca ainda prestigia bastante a ficção científica escrita em inglês, mas considera sem valor algum a nossa fc. É contra este antigo preconceito − o tal complexo de vira-lata de que falava Nelson Rodrigues − que o coletivo está lutando. A intenção é abrir esse clube tão fechado e fazer um esforço conjunto para que a fcb seja mais divulgada, atingindo não apenas mais leitores, mas também a crítica especializada (jornalística, blogueira e acadêmica).

Em 2018, o coletivo se reuniu várias vezes para criar esse universo ficcional compartilhado e definir os parâmetros desta coletânea de contos. Um universo ficcional compartilhado é um conjunto de elementos ficcionais (personagens e ambientação) que pode ser compartilhado total ou parcialmente por diversos autores. Uma vez definidos os personagens e o universo ficcional, os autores do coletivo escreveram contos individuais, usando total ou parcialmente os elementos definidos.

As histórias de Era de Aquária: a Grande Inundação foram escritas para se dirigir ao público jovem-adulto, mas não apenas a ele − fundamentalmente, a todas as mentes que estão em fase de descobertas, de aprendizados. Queremos fazer parte dessa evolução estimulada pela curiosidade e movida pelo desejo de viver, de conhecer coisas diferentes, de se aventurar. Estimuladas, sobretudo, pelas mentes que, no sopro da imaginação, conversam com o que está por vir.

As consequências de uma grande inundação são vistas de formas diferentes pelos autores, com alguns pontos de destaque nas várias narrativas, como o inevitável aumento do volume de resíduos gerados pela inundação e o maior valor que passam a ter os esforços de resgatar o que sobrou do mundo anterior.

Questões como o avanço da inteligência artificial e da engenharia genética também estão presentes nos contos, apontando o conflito entre o avanço tecnológico e o mundo devastado pela catástrofe ambiental. Histórias de amor, religião, ecologia e aventura são construídas nesse cenário, como num romance contemporâneo que acena para o futuro próximo.

Este é o primeiro trabalho do Coletivo KriptoKaipora. Muitos outros virão.

Luiz Bras

Giovanna Picillo

Nanete Neves

Sonia Nabarrete

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